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Brasil: Novas evidências de graves desvios de conduta da polícia na Operação Contenção

Play Video Veja a descrição em texto desse vídeo TEXTO NA TELA 28 de outubro de 2025 Rio de Janeiro, Brasil NARRAÇÃO Na manhã de 28 de outubro de 2025, centenas de policiais cercaram dois conjuntos no Rio de Janeiro. Ao anoitecer, a operação se tornaria a mais letal da história do Brasil. TEXTO NA TELA AVISO. Este vídeo contém cenas fortes, incluindo imagens desfocadas de cadáveres. O conteúdo pode ser sensível para algumas pessoas. NARRAÇÃO 122 pessoas foram mortas, incluindo dois adolescentes e cinco policiais. De acordo com os laudos de necrópsia, mais de 85% das vítimas que não eram policiais eram negras. O Supremo Tribunal Federal obrigou a polícia do Rio de Janeiro a usar câmeras corporais. No entanto, apenas 23% dos policiais usavam câmeras no dia. Nenhuma morte foi gravada nas filmagens analisadas pela Human Rights Watch. TERÇO INFERIOR Damir Khairat Pesquisador do Laboratório de Investigações Digitais NARRAÇÃO A Human Rights Watch teve acesso à investigação do Ministério Público, incluindo 8.800 páginas de documentos, 122 laudos de necrópsia e quase 4.000 horas de gravações de câmeras corporais. TEXTO NA TELA O Ministério Público divulgou as imagens das câmeras corporais usadas neste vídeo. A grande maioria das filmagens às quais a HRW teve acesso estão sobre sigilo e não podem ser publicadas. NARRAÇÃO Assistir a todas as imagens 24h por dia, sem nenhuma pausa, levaria quase seis meses para um único pesquisador. Por isso, treinamos diversos modelos de inteligência ar

Brasil: Lula deveria priorizar os direitos humanos em seu novo mandato

Click to expand Image O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva votando no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, São Bernardo do Campo, Brasil. © 2022 Rovena Rosa/Agência Brasil (São Paulo) – Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito presidente do Brasil, deveria aproveitar seu novo mandato para enfrentar problemas crônicos de direitos humanos, afirmou hoje a Human Rights Watch. O presidente Lula derrotou o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, no segundo turno no dia 25 de outubro de 2026, de acordo com os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral. Lula obteve 51,7% dos votos, enquanto Bolsonaro recebeu 48,2%, com 99,9% das urnas apuradas, informou a Justiça Eleitoral. “Durante o mandato atual, o presidente Lula apoiou as instituições democráticas e obteve avanços importantes na proteção da floresta amazônica e das comunidades locais que dependem dela para sua sobrevivência, mas teve um desempenho misto em outras áreas”, disse César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil. “Seu governo deveria enfrentar os números recordes de letalidade policial e outros problemas de segurança pública, além de apoiar de forma mais consistente os direitos humanos no país e no exterior.” A imprensa noticiou a redução dos serviços de transporte público em vários estados, o que pode ter impedido eleitores de chegar aos seus locais de votação em 25 de outubro. A Polícia Federal estaria investigando possíveis crimes eleitorais. A campanha de Lula pediu a prorrog

Terror na Amazônia

Click to expand Image Sobreviventes e familiares dos mortos durante a operação de agosto de 2020 prestam homenagem às vítimas durante um seminário na Universidade Federal do Amazonas, em 2023. © 2023 Foto cortesia do Coletivo pelos Povos do Abacaxis No dia 3 de agosto de 2020, começou um pesadelo para indígenas e ribeirinhos que moravam em comunidades às margens do rio Abacaxis, na Amazônia. Naquele dia, três barcos particulares chegaram à cidade de Nova Olinda do Norte transportando dez policiais militares do estado do Amazonas à paisana; dez dias antes, alguém havia atirado contra um barco que pescava ilegalmente na região. Um secretário estadual , que estava a bordo, teria sofrido um ferimento leve. Testemunhas afirmaram que ele prometeu voltar para se vingar. As coisas não saíram como planejado. Houve um tiroteio em uma das comunidades ribeirinhas, e dois policiais foram mortos. Segundo moradores locais, aqueles que efetuaram os disparos não sabiam que os homens nos barcos eram policiais. As autoridades do estado do Amazonas apresentaram uma versão diferente, alegando que um grupo de traficantes de drogas havia emboscado a polícia. Em resposta, o estado enviou 50 policiais militares. Moradores relataram que, nas semanas seguintes, os policiais passaram de comunidade em comunidade, queimando casas, torturando e matando pelo menos seis pessoas. Outras duas continuam desaparecidas até o momento e são consideradas mortas. Na época, um procurador da República e a Human Rights

Afeganistão: os ataques do Talibã aos direitos humanos se agravam após cinco anos

Click to expand Image Uma profissional de saúde afegã dentro de uma residência no Afeganistão, em 17 de fevereiro de 2026. Antes de o Talibã proibir o acesso das mulheres às universidades, ela estudava jornalismo e relações públicas. © 2026 AFP via Getty Images (Nova York) – O Talibã do Afeganistão consolidou uma das piores crises de direitos humanos do mundo e desmantelou sistematicamente os direitos das mulheres e meninas desde que assumiu o poder há cinco anos, afirmou hoje a Human Rights Watch, divulgando uma linha do tempo (em inglês) dos abusos ocorridos nos últimos cinco anos. O Afeganistão também enfrenta uma grave crise humanitária, com quase 40 por cento da população precisando urgentemente de assistência. Desde a tomada de Cabul, em 15 de agosto de 2021, as autoridades do Talibã impuseram restrições generalizadas aos direitos das mulheres ao trabalho, à livre circulação e à participação na vida pública, como parte de um sistema mais amplo voltado para o controle social e a repressão a qualquer dissidência. A polícia moral do Talibã realizou batidas em locais de trabalho, vigiou espaços públicos e prendeu arbitrariamente mulheres por supostas violações das regras do código de vestimenta. O Afeganistão continua sendo o único país do mundo onde meninas são impedidas de frequentar a escola após a sexta série. Afghanistan: 5 Years Under Taliban Rule August 15, 2026 will mark five years since the Taliban returned to power in Afghanistan. Over the last five years, the Tal

Brasil: Justiça protege direitos à terra na Amazônia

Click to expand Image Gado pasta em terras recentemente queimadas e desmatadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no estado do Pará, Brasil, em 23 de agosto de 2020. © 2020 Andre Penner/AP Photo (São Paulo) – Autoridades judiciais brasileiras, em duas importantes decisões recentes, reafirmaram os direitos de pequenos agricultores e de povos indígenas na Amazônia e instaram as autoridades federais a remover ocupantes ilegais, um dos principais fatores que impulsionam o desmatamento ilegal na região, afirmou hoje a Human Rights Watch. As decisões responsabilizam as autoridades federais por sua demora em adotar medidas para remover os “grileiros” do Território Indígena Cachoeira Seca e da área do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Terra Nossa, ambos no estado do Pará, e afirmam os direitos à terra dos residentes legítimos: os povos indígenas em Cachoeira Seca e os pequenos agricultores no Terra Nossa. As decisões também exigem que as autoridades demonstrem prontamente progressos tangíveis para remover os ocupantes ilegais. “Há anos, moradores de Cachoeira Seca e Terra Nossa se organizam para impedir essas grilagens de terra, apesar do medo de ataques por parte dos fazendeiros”, disse Luciana Téllez Chávez, pesquisadora sênior de meio ambiente da Human Rights Watch. “Essas decisões justificam sua luta e exigem que autoridades federais atuem prontamente para proteger seus direitos, seus territórios e suas florestas.” Em 3 de junho de 2026, um juiz federal determinou que

Brasil: Rio de Janeiro Precisa de Perícia Independente

Click to expand Image Prédio do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro, fevereiro de 2025, Rio de Janeiro. © 2025 Cesar Munoz/Human Rights Watch O governador em exercício do estado do Rio de Janeiro deveria promover a aprovação de um projeto de lei para garantir a independência da perícia criminal no estado e adotar medidas adicionais para fortalecê-la, afirmou hoje a Human Rights Watch em uma carta ao governador em exercício, Ricardo Couto. O Rio de Janeiro é uma das sete unidades federativas, incluindo o Distrito Federal, com perícias oficiais totalmente subordinadas à polícia civil, responsável pelas investigações criminais, como de mortes causadas pela própria polícia. Cerca de 77% dos homicídios no Rio não são esclarecidos, um dos indicadores mais altos do Brasil, segundo o Instituto Sou da Paz. Além disso, a Human Rights Watch tem documentado graves falhas nas investigações da polícia civil de mortes decorrentes de intervenção policial. “Garantir perícias independentes e de qualidade é essencial para melhorar as investigações criminais e a responsabilização no Rio de Janeiro”, disse Andrea Carvalho, pesquisadora da Human Rights Watch no Brasil. “O governador em exercício deveria assegurar que os peritos tenham a independência e o apoio necessários para atuar de forma eficaz.” Peritos criminais relataram à Human Rights Watch pressões veladas da polícia para influenciar seu trabalho, especialmente em casos envolvendo mortes causadas pela polícia. O governo interino já a

Angola: Sobreviventes de inundações vivem em condições precárias

Click to expand Image Uma ponte ferroviária danificada por fortes inundações perto da estação de Benguela, em Angola, 23 de abril de 2026. © 2026 Phill Magakoe / AFP via Getty Images (Joanesburgo) – As autoridades angolanas devem realizar uma investigação independente e credível ao colapso do dique do rio Cavaco e assegurar que as comunidades deslocadas internamente recebam assistência imediata, adequada e transparente, afirmou hoje a Human Rights Watch. Dados oficiais indicam que as fortes chuvas e o colapso do dique do rio Cavaco, em 12 de abril de 2026, desencadearam inundações devastadoras na província de Benguela, em Angola, causando pelo menos 19 mortos, deixando 31 pessoas desaparecidas e afectando mais de 8000 famílias. Pelo menos 3624 pessoas foram resgatadas, 1540 habitações foram destruídas, 3871 sofreram danos e 2586 permaneceram inundadas nas semanas que se seguiram à catástrofe. “A dimensão da destruição provocada pelo colapso do dique do rio Cavaco, em Angola, suscita sérias preocupações quanto à capacidade das autoridades para prevenir e responder a riscos previsíveis”, afirmou Sheila Nhancale, investigadora para África da Human Rights Watch. “As famílias afetadas necessitam de ajuda humanitária imediata e de respostas sobre como ocorreu o colapso do dique.” Em maio de 2026, a Human Rights Watch entrevistou oito pessoas na província de Benguela, incluindo residentes das comunidades afectadas, um jornalista, dois advogados que prestam assistência a famílias des

O Brasil precisa de investigações independentes sobre abusos policiais

Click to expand Image Pessoas participam de uma manifestação contra a Operação Contenção no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2025, que deixou 122 mortos, incluindo duas crianças, 31 de outubro de 2025. © Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images Esta semana seria de avanço para o Brasil: a Resolução 310 — uma resolução crucial que exige que promotores liderem as investigações sobre mortes causadas pelas polícias e que essas investigações cumpram padrões internacionais — começaria a produzir efeitos. Contudo, a implementação integral da resolução foi colocada em espera. Após incidência de organizações como a Human Rights Watch, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou a resolução em 2025, que se tornou o ano de maior letalidade policial, com 6.588 mortes. Entre elas estão as 117 pessoas que morreram durante a Operação Contenção no complexo da Penha no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2025. Cinco policiais também foram mortos nessa operação. Os ministérios públicos deveriam cumprir integralmente a Resolução 310 a partir de 7 de maio de 2026. No entanto, o CNMP concedeu mais um ano para adequação e implementação pelos ministérios públicos de todo o país. Eles deverão apresentar planos de implementação à Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública do CNMP nos próximos dois meses. A Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Supremo Tribunal Federal já estabeleceram que promotores deveriam liderar a

Moçambique: Marinha associada à morte de pescadores

Click to expand Image Pescadores separam sua captura antes de levá-la para a costa perto do mercado de peixes Costa do Sol em Maputo, Moçambique, 10 de janeiro de 2025. © 2025 Phill Magakoe/AFP via Getty Images (Joanesburgo) – Membros da marinha moçambicana terão morto e ferido pescadores de forma ilegal na província de Cabo Delgado, afectada pelo conflito, a 15 de março de 2026, afirmou hoje a Human Rights Watch. As Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, alegando preocupações de segurança ligadas ao conflito armado em curso na região, impuseram restrições à circulação costeira e à pesca em partes dos distritos de Mocímboa da Praia e Macomia. O Governo afirma que as medidas visam limitar a circulação de grupos armados não estatais ao longo da costa, mas estas têm também afectado significativamente as comunidades que dependem da pesca para a sua subsistência. As autoridades moçambicanas devem investigar o incidente com urgência e de forma imparcial, responsabilizar os autores de quaisquer irregularidades e assegurar o pagamento célere e adequado de indemnizações às vítimas ou às suas famílias. “Elementos da marinha moçambicana dispararam contra pescadores de subsistência que se encontravam a pescar em águas restritas devido à necessidade económica”, afirmou Sheila Nhancale, investigadora para África na Human Rights Watch. “Os parceiros de Moçambique devem instar o Governo a assegurar uma investigação credível e transparente, a garantir a responsabilização e a reparação às

Angola: Rejeite o projecto de lei que restringe organizações da sociedade civil

Click to expand Image O edifício da Assembleia Nacional em Luanda, Angola, 13 de fevereiro de 2013. © 2013 FrankvandenBergh/Getty Images (Joanesburgo) – Um projecto de lei aprovado pelo Parlamento de Angola, a 22 de janeiro de 2026, para regulamentar as organizações não governamentais alargaria significativamente o controlo do governo sobre a sociedade civil e prejudicaria as liberdades fundamentais, afirmou hoje a Human Rights Watch. O Presidente João Lourenço não deveria promulgar o projecto de lei, mas devolvê-lo ao Parlamento para que seja revisto de forma a garantir o cumprimento das obrigações internacionais de Angola em matéria de direitos humanos. O projecto de lei sobre o estatuto das organizações não governamentais concede amplos poderes administrativos que permitem às autoridades autorizar, monitorar, suspender e restringir financeiramente as organizações, prejudicando sua independência e capacidade de operar livremente. O Parlamento aprovou o projecto de lei, apresentado pelo Executivo em 2023, após análise e revisão, mas sem grandes alterações. “O projecto de lei de Angola para regulamentar grupos não governamentais contém controles excessivos e vagos que colocam em risco o funcionamento livre e eficaz da sociedade civil”, disse Sheila Nhancale, pesquisadora da Human Rights Watch para a África. “O presidente Lourenço deveria solicitar um projecto de lei revisto que fortaleça, em vez de restringir, o trabalho da sociedade civil e que esteja em conformidade com as

Brasil: Reformule as políticas de segurança pública

Moradores do Complexo da Penha protestam em frente ao Palácio Guanabara contra uma operação policial que resultou na morte de 122 pessoas, no Rio de Janeiro, em 29 de outubro de 2025. © 2025 Silvia Izquierdo/AP Photo (São Paulo) – As autoridades brasileiras deveriam adotar novas estratégias de segurança pública que desmantelem organizações criminosas e suas supostas ligações com agentes do Estado, promovam investigações criminais independentes e estimulem reformas para tornar a polícia mais eficaz na aplicação da lei, afirmou hoje a Human Rights Watch em seu Relatório Mundial 2026. No Relatório Mundial 2026, de 529 páginas, sua 36ª edição, a Human Rights Watch analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países. Em seu capítulo introdutório, o diretor executivo, Philippe Bolopion, escreve que quebrar a onda autoritária que varre o mundo é um desafio geracional. Com o sistema de direitos humanos sob ameaça sem precedentes do governo Trump e de outras potências globais, Bolopion apela às democracias que respeitam os direitos humanos e à sociedade civil para que construam uma aliança estratégica para defender as liberdades fundamentais. Os brasileiros citaram a violência como sua principal preocupação em pesquisas recentes, e espera-se que a segurança seja uma questão importante na campanha eleitoral para presidente, governadores e legisladores, que serão eleitos em outubro. “As estratégias de segurança pública baseadas no uso irrestrito da força letal pela polícia têm

América Latina: influência de Trump leva a abusos

Click to expand Image Um migrante venezuelano supostamente ligado a organizações criminosas sentado dentro de uma cela no CECOT em 16 de março de 2025, em Tecoluca, El Salvador. © 2025 Governo salvadorenho via Getty Images (Cidade do México) – Alguns governos da América Latina e do Caribe estão violando os direitos de não cidadãos a pedido do governo Trump, enquanto outros estão usando as políticas e a retórica de Trump como pretexto para abusos contra seus próprios cidadãos, afirmou hoje a Human Rights Watch em seu Relatório Mundial 2026. No Relatório Mundial 2026, de 529 páginas, sua 36ª edição, a Human Rights Watch analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países. Em seu capítulo introdutório, o diretor executivo, Philippe Bolopion, escreve que quebrar a onda autoritária que varre o mundo é um desafio geracional. Com o sistema de direitos humanos sob ameaça sem precedentes do governo Trump e de outras potências globais, Bolopion apela às democracias que respeitam os direitos humanos e à sociedade civil para que construam uma aliança estratégica para defender as liberdades fundamentais. O ataque militar do governo Trump à Venezuela no início de 2026 pode consolidar o governo repressivo no país, desde que sirva aos interesses políticos e comerciais dos EUA. Durante 2025, vários governos limitaram o acesso ao asilo e cometeram abusos contra migrantes deportados dos Estados Unidos. Alguns governos latino-americanos têm adotado cada vez mais políticas de segurança

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